É muito difícil defender o simples em 2011.

A overdose de informação faz com que qualquer adendo pareça tornar algo mais interessante do que antes. Momentaneamente.

Optar pelo simples é abdicar de algo que pode agregar, mas também é acreditar que esse mesmo algo só vai acabar confundido e complicando. É preciso muita coragem para defender o simples, e para acreditar nele.

Ultimamente tenho pensado em quanto esse conceito não se aplica só ao design, ou à publicidade, ou a qualquer uma dessas coisas que só a gente se interessa.

Mais legal do que um computador simples como um Apple, ou um site simples como esse aqui, ou um programa simples como o Dropbox ou uma marca simples como aquela é gente simples.

Gente simples é artigo raro. Mas é um artigo que vale cada “centavo de segundo de convivência”.

Gente simples não quer dizer gente rasa. Gente simples não que dizer gente burra, ou sem acesso à informação. Gente simples não quer dizer gente pobre – em nenhum sentido. Na verdade, muito, mas muito pelo contrário.

Gente simples quer dizer gente coerente. Gente educada. Gente fina, elegante e sincera.

Gente convicta sem ser teimosa. Com conteúdo.

A pessoa simples é aquela com a qual as pessoas gostam de trabalhar, de conviver. Com quem é simples jogar uma idéia e receber outra em troca. Que não complica na hora de receber um convite para alguma coisa: ou vai, ou não vai. Uma pessoa que não enrola. Cujas idéias simplesmente fazem sentido. É uma pessoa com foco, e com vontade. É uma pessoa com vida nas veias.

Eu sei que gente é uma coisa naturalmente complexa, mas a sensação que tenho ao encontrar alguém que fecha com esse conceito é algo que me deixa profundamente feliz e com vontade de me aproximar cada vez mais. De aprender com essa simplicidade, de limar da minha minha personalidade todas as facetas que são estranhas ou que não se adequam ao que quero.

Tenho admiração por essa troca, ouso dizer que é uma das coisas que mais valorizo na vida. É a minha meditação e minha terapia.

Wanna play?

Talvez seja coisa da minha cabeça e isso tudo esteja muito mais ligado com sintonia, ou com convivência, ou com harmonia. E talvez o simples para mim não seja o simples dos outros. E pior, talvez, a simplicidade que eu enxergo, esteja no reflexo de uma complexidade semelhante à minha.

Tá, chega. Isso já tá ficando muito complicado.

João Silveira

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